sexta-feira, 2 de junho de 2017

Caçada no Salto - 2

Como na postagem da primeira caçada coloquei várias fotos do lugar, nesta vou colocar apenas as dos achados. 
Voltamos ao lugar onde paramos a caçada anterior, onde o meu amigo achou uma baioneta e vários clips de munição intactas, ao contrário do que pensamos o lugar não deu outros frutos grandiosos. De diferente apenas alguns estojos de armas curtas e o que sobrou de um relógio de bolso. Atravessamos o rio novamente e fomos até onde segundo informações levantadas, há um grande alicerce de pedras, possivelmente de uma fazenda. Conseguimos chegar até o lugar e contemplamos as belas ruínas do período cafeeiro, mas a quantidade de lixo no lugar impediu qualquer descoberta significativa, seguimos então o curso do rio, onde passa o antigo leito, já sem os trilhos, da antiga ferrovia que avançava até a ponte. É por ali que segundo o livro Palmares pelo Avesso ficava a estação Eng. Bianor e a sangrenta trincheira de nome " Vala Suja". mas está tudo tomado pela vegetação e impossível de usar o detector por lá. Voltamos então, ao lugar onde ficava o vilarejo do Salto, mas desta vez não conseguimos achar nenhuma moeda.




Detecção de metais no Salto - Queluz- SP Primeira caçada

Depois de me encantar com os relatos do autor Paulo Duarte no livro "Palmares pelo Avesso" sobre a revolução de 1932 em Queluz e com o livro "1932 A guerra Cívica" que trás relatos detalhados sobre os combates na região da ponte do rio Salto, isso sem falar na passagem histórica do lugar durante o período do ciclo do café no Vale do Paraíba, já que  aqui ficava a fazenda do Salto, uma das mais importantes e ricas da região, viemos após muita espera, pois a ponte, hoje se encontra submersa pelas águas da represa do Funil, e só  aparece em raras ocasiões como esta. Não tínhamos nenhuma ideia de onde poderíamos obter sucesso em nossas prospecções, partimos em busca de vestígios da revolução de 1932, nosso objetivo eram os morros e para alcançá- los, conseguimos um barco emprestado com um morador da região e assim pudemos atravessar o rio Paraíba, que por causa da represa se junta ao rio Salto na sua foz. Depois de atravessar e passar ao lado da mítica ponte, nos embrenhamos pela mata fechada, num lugar que nitidamente ficava o antigo vilarejo, que segundo informações levantadas com os moradores do local, foi totalmente destruído por uma enxurrada, não restando dele, sequer as fundações das casas. Ao parar para descansar achei umas moedas da dec. de 1940, estávamos na base de um morro que achávamos ter trincheiras no seu cume. Ao começar a subida já tivemos a certeza de que aquele lugar foi usado pelas tropas paulistas que defendiam a ponte dos invasores ditatoriais que avançavam vindos do Rio de Janeiro, os primeiros achados começaram a aparecer. Ao chegar na parte mais alta do morro nos deparamos com diversas trincheiras e muitos achados da revolução. Há no lugar muitas antigas estradas, que num determinado ponto se cruzam, bem onde há um corte no relevo formando uma superfície plana. Suspeitei de que ali havia uma fazenda ou construção similar, do período do café. Fomos até lá, mas no lugar não achamos nada, ao voltar, caminhando pelo leito de uma antiga estrada, o detector deu um sinal forte e raso, característico de moedas, ao cavar achei uma linda moeda de 80 réis com carimbo de 40. Mais adiante, seguindo uma sugestão do Erike, detectei no entorno de um toco de árvore, mais uma vez o detector deu um sinal forte, ao cavar, uma    moeda de 20 réis voou para fora da terra, foi a primeira com carimbo de 10 réis que eu achei. Descemos o morro e no caminho, nas breves paradas, achamos mais algumas coisas, inclusive uma plaquinha com o número 44 que não sei do que se trata. Atravessamos o rio novamente e fomos num lugar indicado pelos moradores, ficava este, nas margens da rodovia Dutra e não achamos nada lá. Do alto deste ponto, avistamos um pequeno morro ao lado da antiga ferrovia, um lugar que certamente seria estratégico para que quisesse guarnecer a cabeceira da ponte. Fomos até lá e achei uma moeda na base da elevação,subindo um pouco mais meu amigo achou uma baioneta e muitas munições intactas nos clips. Chegamos a conclusão de que o soldado retirou seu cinto para afundar mais a trincheira e acabou soterrando e perdendo tudo ali. Já era noite e tivemos que ir embora, com a certeza de voltar, pois a esperança de mais descobertas ali era grande.
































Caçada no sítio Floradas da Mantiqueira - Moeda Antiga e Medalha

Duas pequenas surpresas ao testar minha nova ferramenta de escavação, uma medalhinha de santo que achei no alto do morro ao lado do valo de divisa, e uma moeda muito bonita achada ao lado de casa, bem embaixo de onde tinha uma goiabeira que tive que cortar. 









Detecção de Metais no Túnel da Mantiqueira - Talher de Campanha


Mais uma caçada na região do túnel da Mantiqueira, desta vez sozinho. O lugar já foi pesquisado antes, mas aqui sempre há espaço para novas descobertas, e desta vez não foi diferente. Um pequeno susto na mata, quando ouvi passos de algo que parecia vir à minha direção me fez sair da vegetação densa por uns instantes. Minha preocupação aqui são as cobras,os marimbondos, e agora segundo relatos dos moradores do entorno, devo me preocupar também com os porcos do mato e a onça. Mas o que mais assusta aqui é o fato de estar sozinho e longe de qualquer ajuda ou socorro  em caso de necessidade. Vale lembra também que a  natureza aqui  apesar de linda, é totalmente inóspita ao ser humano. Demorei um pouco, como de costume, para decidir qual lugar iniciar as pesquisas com o detector, mas no final acho que tive sorte e escolhi um bom lugar.  O restante da caçada podemos conferir nas fotos abaixo:

O Lugar:
 Finalmente depois de tanto procurar, escolhi este lugar para passar o dia detectando.


 Pico da Gomeirinha, posição ditatorial, a direita dos paulistas que fizeram suas trincheiras voltadas para Minas Gerais.

 Pico do Cristal, posição ditatorial à esquerda dos paulistas.

Trincheira paulista intacta, desde 1932.
Os Achados:

 Tampa da garrafinha de óleo do kit de manutenção da Hotchkiss.

 Borboletas de fixação.
 Talher de campanha, este foi o primeiro completo que achei.



 Parte do bipé do fuzil metralhadora.

 Peça do Kit de manutenção da hotchkiss, estava bem próximo as outras peças do mesmo kit. Note o grau de conservação: ainda possui as fibras que ao passar pelo cano das armas faz a limpeza.

O que teria acontecido?





 Depois de Limpos: